Microcirurgia ocular: técnicas e problemas que trata

Microcirurgia ocular: técnicas e problemas que trata
Carina Mello
Carina Mello
Escritora formada pela a USP em Comunicação Social, com experiência com mais de 8 anos na área de cirurgia plástica.
Criação: 22 jan 2018 · Atualização: 16 jul 2019

A microcirurgia ocular é uma intervenção que faz o uso de microscópios e lupas para a correção de problemas oculares que afetam os nervos e os vasos sanguíneos. Devido ao tamanho reduzido dos tecidos, os profissionais que se encarregam do procedimento ocular necessitam do uso de técnicas de ampliação para que possam trabalhar em tal escala microscópica.

A cirurgia ocular é utilizada para tratar de casos de presbiopia, vista cansada, desprendimento de retina, feridas no olho, miopia, inflamação ocular, catarata, glaucoma, entre outros. Também é emprega na realização de transplantes de córnea, para frear a evolução de ceratocone, para extrair tumores, e ainda para tratar de buracos maculares.

Métodos de cirurgia ocular e problemas que trata

O uso da microcirurgia ocular varia de acordo com a necessidade de cada pessoa. Os métodos mais realizados são os seguintes:

Cirurgia refratária a laser

Esse tipo de cirurgia é utilizado para corrigir problemas de miopia, astigmatismo, e hipermetropia, ou seja, para qualquer patologia relacionada à dioptria. No entanto, também pode ser aplicada para tratar de casos de estrabismo, ou de vista cansada.

Através do uso do laser é possível modificar a dioptria por meio do engrossamento ou afinamento da córnea, ou ainda alterando a sua curvatura. Normalmente, são utilizados lasers como o PRK, LASIK, ou o femtosegundo, os quais oferecem os melhores resultados. O laser femtosegundo, aliás, é combinado com a realização de uma pequena incisão que potencializa o seu efeito.

O uso do laser na cirurgia ocular não causa dor. Entretanto, de todo modo o cirurgião aplica anestesia de uso tópico para minimizar qualquer desconforto que possa surgir durante o procedimento.

Outra vantagem é que se trata de uma cirurgia rápida, a qual não costuma demorar mais do que 5 minutos. É segura, já que, na maioria dos casos, os efeitos colaterais que podem surgir (olhos secos, sensibilidade à claridade) são temporais. A tais efeitos há que somar os próprios de toda intervenção cirúrgica, o que não devemos esquecer.

No que diz respeito aos cuidados, o paciente necessita seguir as recomendações estabelecidas pelo médico responsável. Ainda que se trata de uma operação simples, é aconselhável o repouso por 24 horas, período pelo qual é conveniente manter-se distante de locais muito iluminados.

Vitrectomia

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A vitrectomia é um processo cirúrgico que consiste na extração do vítreo, que é o gel de colágeno que temos dentro dos olhos para tratar de problemas que afetam a retina, como: desprendimento de retina, retinoplastia hepática, feridas ou inflamações, ou ainda problemas que afetem a mácula lútea (mancha amarela que temos na retina).

Durante a vitrectomia o cirurgião realiza 3 incisões de tamanho pequeno (inferiores a 1 mm) no globo ocular para poder chegar ao vítreo, o qual é extraído. Diferentemente da cirurgia refratária com laser, a vitrectomia é um proceso mais complexo e quem duração média de 1 a 2 horas. Além disso, necessita de anestesia local.

Depois da operação, o cirurgião coloca um tampão no olho do paciente, o qual deve ser mantido por 24 horas. Durante esse tempo é recomendado repouso absoluto. Passado o primeiro dia, a pessoa pode voltar à rotina com normalidade, desde que evitando exercícios, movimentos bruscos, ou pancadas no olho.

É normal que ocorra um inchamento da pálpebra, que olho fique vermelho, ou que se tenha a sensação da presença de um objeto estranho. Nos casos mais graves podem surgir outras complicações, como pressão ocular ou desprendimento de retina.

Ademais dos sintomas destacados, assim como ocorre com qualquer cirurgia, podem ocorrer sangramentos e infecções. Por isso é fundamental seguir as orientações do profissional.

Crosslinking corneano

Se trata de uma técnica nova utilizara para frear a evolução do ceratocone, o qual ocasiona a degeneração da córnea. A enfermidade pode estar por trás de problemas graves de astigmatismo, mas, sobretudo, é a principal causa da necessidade de transplantes de córnea. O Crosslinking corneano atua para paralisar o avance da degeneração ocular.

A operação costuma durar 1 hora e, como as outras técnicas de microcirurgia ocular, não requer internação hospitalar. Para evitar possíveis desconfortos o cirurgião aplica anestesia tópica.

A recuperação requer um pouco mais de tempo, entre 4 e 5 dias, além de normalmente ser mais incômoda. Por isso, o especialista pode recomendar o uso de analgésicos para o controle da dor.

Ceroplastia

Se a degeneração é grande e a córnea é muito fina, o médico normalmente faz o uso da cirurgia de transplante de tecido. A ceroplastia, ou cirurgia de transplante de córnea, dura entre 30 e 40 minutos e, apesar de ser ambulatorial, requer o uso de sedação, assim como de anestesia tópica para que possa ser realizara com tranquilidade.

A ceroplasstia pode ser realizada por meio de 3 técnicas distintas, as quais são selecionadas conforme a capa afetada. Se o problema está na capa mais profunda (endotelio), é realizado um transplante de córnea posterior. Se, do contrário, afeta ao estroma corneano (que é a capa mais forte da córnea), o transplante é feito na córnea anterior.

Por último, se a lesão está localizada na capa mais superficial do tecido (epitélio), é realizado um transplante de células-tronco da córnea, as quais são procedentes da região saudável, o que faz com que seja recuperada a transparência de visão de antes da lesão.

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Facoemulsificação

A facoemulsificação é uma operação que consiste na eliminação das cataratas. Por meio de uma pequena incisão são aplicados ultrassons, os quais dissolvem a catarata, o que permite a sua extração do cristalino. Em seu lugar é colocada uma lente intraocular artificial.

A intervenção é realizada com o uso de anestesia tópica e pode durar entre 1 e 2 horas. Alguns especialistas substituem os ultrassons pelo laser de femtosegundo para decompor a catarata.

Uma vez passada cirurgia, o pós-operatório é similar ao dos métodos anteriores, ou seja: evitar movimentos bruscos, não tocar o olho, e não realizar esforço físico. Assim mesmo, o cirurgião aconselha ao paciente o uso de óculos de sol durante as primeiras semanas, o que serve para minimizar os possíveis desconfortos da recuperação.

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