BIOPLASTIA: Passaporte para a (in)felicidade

BIOPLASTIA: Passaporte para a (in)felicidade
Médico apaixonado pela a família, trabalho e pessoas. Trabalha com cirurgias plástica e tratamentos de rejuvenescimento facial: Dr. Oswaldo Pigossi Júnior, CRM-SP 43759 / RQE 14524
Criação: 19 Nov 2018 · Atualização: 4 Dez 2018

BIOPLASTIA - Passaporte para a (in)felicidade?

Quem não está feliz com suas formas pode, em questão de minutos, melhorar partes do rosto ou do corpo que gostaria de deixar mais bonitas. Sem cortes e sem ou com anestesia local aplicada com seringa de dentista, é possível arrebitar o nariz ou definir a linha da mandíbula, um “bumbum” arrebitado e mais volumosa, por exemplo, e estrear o visual em seguida. O efeito "fada madrinha" é obra de um capítulo da “medicina estética”: a bioplastia. E apesar de toda divulgação pela mídia de problemas gerados por essa técnica, inclusive com prisão de pessoas sem formação cientifica que realizam tais tratamentos, ainda encontramos diversas pacientes que solicitam esse procedimento.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, bem como a Sociedade Brasileira de Dermatologia, responsáveis pelo “bem estar estético” dos brasileiros, recomendam que os pacientes não façam uso de técnicas ainda sem comprovação científica e promessas mirabolantes, pois as complicações podem aparecer somente anos depois. Essa mistura de avidez e desinformação pode ser fatal. A população em geral infelizmente apresenta falta de contato formal com a ciência, falta de domínio do jargão científico e principalmente uma deficiência na capacidade de análise crítica, objetiva, que um bom observador externo necessita para avaliar a real validade de uma técnica ou artigo científico.

Cirurgias sempre deixam marcas, algumas muito discretas, outras nem tanto, o que se consegue é que fiquem dissimuladas ou esvaeçam com o tempo, mas muitas vezes não aceitas por uma grande parte da população. Substâncias revolucionárias à época como o silicone líquido e que foram injetadas sem critério para preencher os tecidos mostraram-se bombas de efeitos devastadores após vários anos.

A evolução tecnológica dos equipamentos é muito rápida, e geralmente sua colocação no mercado não é precedida de avaliações cautelosas de suas qualidades e potenciais malefícios. Sempre vão se prometer resultados milagrosos, cabe a cada um de nós separar o joio do trigo.

A técnica, em vez de usar o bisturi, uma micro cânula ou agulha, é introduzida por um orifício na pele e levada a camadas mais profundas. Injetada por seringas ou nas “clinicas mais chiques”, por uma pistola especialmente desenvolvida para este fim, a substância milagrosa, o POLIMETILMETACRILATO (PMMA), um produto sintético, que tem o objetivo de realçar contornos ou repor volumes perdidos com o processo de envelhecimento, produto este, que se compõe de microesferas de acrílico imersas em uma substancia gelatinosa absorvível, sendo o acrílico inabsorvível, portanto permanente.

A utilização do PMMA é conhecida na medicina desde os anos 50, em próteses de quadril e posteriormente em implantes intra-oculares. Mas para tratamentos estéticos, a ANVISA limita às concentrações de 2, 10 e 30%, em seringas de 1ml. A utilização da substância em glúteos, por exemplo, necessita de uma quantidade até 500 vezes maior do que o recomendado. Isso representa um risco incalculável para o paciente

A possibilidade de exibir mais juventude e beleza praticamente sem dor e com resultado imediato anda mexendo muito com a vaidade feminina. Principalmente nas camadas de baixa renda da população

 Existem basicamente dois tipos de risco de curto prazo com esse procedimento, ambos de grande gravidade:

O primeiro é que o uso em altíssimos volumes: para aumentar nádegas, bíceps, músculos peitorais, imagine injetar 200ml, 300ml, 400ml de acrílico dentro da massa muscular ou ainda, quando aplicados muito superficialmente, no tecido gorduroso e próximo da pele, esses produtos se tornam rígidos, de consistência pétrea e podendo comprometer a circulação sanguínea, formando fístulas, áreas inflamadas, necroses às vezes extensas, com quadros severos de infecção que vez por outra evoluem para septicemias, que mesmo bem tratadas posteriormente provocam grandes deformações inestéticas. Problemas de difícil solução, talvez somente através de um tratamento cirúrgico para “tentativa” da retirada do material injetado, porem com imensas dificuldades, uma vez que todo o tecido fica infiltrado. Uma analogia seria de se pingar algumas gotas de tinta na agua, como retirar depois?

 Em segundo lugar, fato já observado em diversas pacientes, inclusive com divulgação recente pela mídia, temos também os riscos de uma injeção intravascular do produto causando sérios problemas, desde necroses extensas a distancia ate embolia pulmonar. Resultando normalmente em quadros de êxito letal das pacientes, como noticiados recentemente. O mais grave, porém, é que não sabe o que pode acontecer no longo prazo, inclusive porque muitos profissionais e não profissionais têm usado substâncias injetáveis, dizendo ser pmma e na realidade injetam outros produtos.

 O Conselho Federal de Medicina divulgou recentemente um alerta sobre a bioplastia. Segundo o comunicado, praticamente transcrito na integra: “O produto PMMA (polimetilmetacrilato), em diversas apresentações comercias, encontra-se, de alguma forma, registrado na ANVISA para uso especifico e determinado. Não há estudos sobre o comportamento a longo prazo desse produto usado no corpo humano para preenchimentos, principalmente em grandes volumes e intramuscular. Recomenda-se aos médicos cautela nesta pratica, no sentido da proteção maior aos pacientes, os quais podem ser influenciados pela divulgação fantasiosa e exagerada. É preocupante a constatação de que médicos, ou pior ainda, não médicos aventuram-se de maneira irresponsável em procedimentos invasivos de preenchimentos, expondo pacientes a riscos inaceitáveis”.

O produto teoricamente pode ser utilizado, mas em doses pequenas conforme liberação da ANVISA (acima) e profundamente, próximo ao osso, onde parece que o risco é menor. Estudos em laboratório ate o presente momento mostram que não há problemas, o risco de reações alérgicas, principalmente, são remotos. Porem é sempre muito perigoso o uso inadequado de produtos médicos que não tem respaldo cientifica suficiente e de longo prazo e que não foram devidamente testados e autorizados para a indicação diferente da original A enganosa publicidade na facilidade e segurança do método pode trazer conseqüências tão desastrosas como a que se viu com o uso de silicone líquido no passado, que não se fixava aos tecidos, migrando através do organismo sob ação da gravidade, indo se depositar normalmente em áreas limites, assim, uma injeção feita nas nádegas descia pelas pernas parando apenas nos tornozelos, imagine-se com isso os problemas, não só estéticos causados.

No inicio do texto, coloquei o termo Medicina Estética entre aspas, pois segundo o Conselho Federal de Medicina, órgão máximo na gerencia da profissão medica neste país, coloca da seguinte forma, na integra:

 Em abril de 2002 a resolução nº 1634/2002 do Conselho Federal de Medicina -CFM, estabelece quais são as especialidades médicas reconhecidas pelo CFM, Associação Médica Brasileira -AMB e Comissão Nacional de Residência Médica – CNRM.  Medicina Estética não é reconhecida como uma especialidade médica. Posteriormente é complementada pela RESOLUÇÃO CFM Nº 1.666/2003. Destacam-se os textos dos artigos 3° “Fica vedado ao médico a divulgação de especialidade ou área de atuação que não for reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina ou pela Comissão Mista de Especialidades”, e Art. 4º “O médico só pode declarar vinculação com especialidade ou área de atuação quando for possuidor do título ou certificado a ele correspondente, devidamente registrado no CRM”. Apesar de a resolução ser bem clara e não reconhecer a Medicina Estética como especialidade médica, existe diversos profissionais que se intitulam especialistas em medicina estética e divulgam-se como especialistas sem possuir título de especialista para tal. Além de contrariar uma resolução do Conselho Federal de Medicina, acabam por iludir a população que acredita existir uma especialização denominada medicina estética. (Resolução CFM nº 1.666/2003 - Especialidades)

Está interessado neste tratamento?
As informações são gratuitas!

O conteúdo publicado no Cirurgia.net (site e App) em nenhum caso pode, nem pretende substituir as informações fornecidas individualmente por um especialista em cirurgia e medicina estética ou áreas afins. Este conteúdo é meramente indicativo e não é um conselho médico nem um serviço médico de referência. Fazemos um esforço e esforço constante para manter um alto padrão e precisão nas informações fornecidas, no entanto, a precisão e a adequação das informações contidas ou vinculadas não são garantidas.

0 comentários

Destacado

Contate um médico